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Fernando Naxcimento
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A mosca
Entrou em meu campo de visão. A mosca. Mosca comum, dessas que acompanham a gente à mesa. Tinha um vôo comum, também. Estava deitado de costas, olho no teto. Janelas abertas, manhãzinha nublada. Entrou em meu campo de visão, mas há algum tempo já tinha percebido sua presença: o zumbido. Zumbido um pouco mais longo que o usual, mas o timbre, o timbre era igual às outras moscas - se prestasse atenção, dava para perceber o Doppler, como um trem apitando, ao passar à toda por uma estaçãozinha, se... [ler mais]
Para a mulher amada
Mulher, te amo, e nem sei bem porquê. Me confundo quando te assanhas, e então, falham sempre meus artifícios e artimanhas para mais te aprender. Não será tua beleza, nem tanto o teu jeito de ser e ficar me olhando co'os olhos oblíquos, parados, quando estamos a sós, perdidos pro mundo, trêmulos e apaixonados. Tua cabeça lúcida... não, nem a suave incerteza que me passas, e que traduz o nosso dia-a-dia. Talvez, quem sabe, a cartesiana harmonia dos mesmos olhos em mim fixos ou de teus arroubos ... [ler mais]
EM CONSTRUÇÃO:Muro (Disco voador)
(ouvindo Raulzito, o impagável... 18 de outubro de 2002; finalização [?] em 09 de novembro de 2002) Eu devia estar contente (falo com meus botões) porque pra dentro do muro que me separa da rua & das pessoas mamolengas no círculo do meu quarto no meu quarto de dormir às vezes consigo ver como queria as coisas: Um ser complicado o que nunca sou no lá fora – faca de mim mesmo, dono das estrofes, dos versos líricos das odes guerreiras cortantes, heróicas... (achar que sou dono do meu tempo... [ler mais]
Locomotiva
(ouvindo Jotaquest – legal. sexta-feira, 2 de setembro de 2005.) Quando te vejo, assim, tranqüila, cuidando de teus botões, uma paz pacífica e azulrosa me invade, e fico feliz. São esses os momentos que gosto mais. Assim, quieta, calminha, mostras teu outro lado, a parede cai e apenas musgos e hera verdinha e fresca surgem no meu horizonte visual. No fim do dia o sol crepuscular atravessa nossa janela, e sempre vira em ouro e cobre teus cabelos encaracolados, onde estás, na poltroninha az... [ler mais]
Mulher de prata
Búzios, 09.03.2007 – sexta bonita, trabalhando e ouvindo Cassia Eller... minha rua moça crua toda nua... sua, sua, sua, guerreira, tilinta a carne carniceira, lua e estrela below... me conta o que já fui, desdiz o que agora sou, oculta, até, se queres, a farta mata: mas be mine, kiss me indeed, sugar até sugar meu suor de prata [ler mais]
Via-láctea
Sempre que vejo a lua vejo uma lua descaroçada por mil olhares parelhos de outros mais sonhadores. Lembro então de tuas nádegas (ou maçãs do rosto, ou joelhos) Fico co’o pescoço duro, meu bem, mas não paro de olhar... (Lembro enfim dos teus seios, luas gêmeas, únicas, quase minhas) Sempre que vejo a lua o ar fica mágico co’a tua presença. Ergo os olhos pro céu estou na rua, na madrugada... Nada importa, então, nada: não escuto os conselhos e nem sigo as regras de poetas outros como eu, bissex... [ler mais]
Cadela despetalada
TENHO ANDADO O DIA TODO, ATRÁS DA PORTA, EM BUSCA DAQUELA VOZ, NAVALHA, DO SORRISO DA CRIANÇA, DOS MEUS PÉS ESVOAÇANTES – O MEU IDEAL, O MEU IMAGINÁRIO – E DE UM POUCO DE RAZÃO. PISO NUMA C’ROA DE FLORES, SONHO PELA CANÇÃO, ASSOVIO E VEJO SEMPRE BICHOS E TRALHAS, E FICO INDECISO E GRITO E ME CALO (E SE ME FALO VOMITO COISAS INCOMPREENDIDAS PELA PORTA, E PELOS QUE ATRÁS DELA ESTÃO...) ME M-OLHO AMARELO E PRETO, E VOU PR'O ESPELHO, O GRANDE E EMOLDURADO, O COM VOLUTAS. AS IMAGENS CÓLICAS DO EUE... [ler mais]
PAGÃO GORDOTE
Quando te vejo mocinha, faceira e feliz com teus botões, apagada e roxa p'r'o mundo de lá, mas muito acesa, acesíssima p'ra todas folhas que não param de cair, oscilantes, do meu hibisco, atenta amarelinha pros galhos tortos meus e escassas florescências, decaem cortinadas minhas crenças e meus temores - viro arvrinha de natal, amada, viro um atacante goleador, bólido negro, um pagão, pagão gordote co'os dentes tort... [ler mais]
Thick as a brick
E finalmente, você me pergunta: as coisas que faço (e tu, louca lunática mulher loura fascinante, e tu – que só deblateras...) e te respondo na lata, e me solto prerrasgado às feras engravatadas da televisão. E então, você me pergunta, “devo comer uma maçã, ou umamão?” E ato contínuo me antropofagas e começas pelas almofadas dos dedinhos da mão de trabalho, tu com teus vestidinhos plissados. Eu, eu executo mais uma vez o meu destemido ato falho de não me comprometer – não declarar a minha pai... [ler mais] |
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