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Andre L. Soares

O gosto do chá de hortelã

Não existe tempestade, nem rumores de chuva. Não existe tormenta, nem sinais de vento ou brisa. Não existe calmaria, pois não existe o céu nem as nuvens. Existe um jazz gélido no calor da rumba. Existe o nada, onde o nada sobrevive. [ler mais]

MAIS-QUE-PERFEITO

MAIS-QUE-PERFEITO (Rita Costa – 04.06.07 – R. Janeiro/RJ) . Haverá algum verso capaz de descrever o breve instante em que, num só fôlego, atravessa-se o silêncio e o perfume existentes no ar? Como traduzir, naquele milésimo de segundo e a mesma beleza que há no brilho dos olhares – rodamoinhos de mistérios castanhos –, quando, revelando os sentidos, buscam saciar a sede do corpo inteiro? Talvez seja impossível descrever o encanto de infinitos versos,... tal a poesia nascida do assovio dos rio... [ler mais]

A consulta

  Minha primeira e última visita a um consultório psicológico foi estranha.     Mais ou menos todo o tempo que eu passara hesitando entre ir ou não me consultar, eu gastei com pensamentos sobre como seriam esses profissionais da saúde mental. Sempre pensara nessa gente como no mínimo suspeita. Provavelmente charlatões. Sisudos, com certeza.     Foi uma amiga da universidade, Conceição, que enfim me convenceu a ir ao doutor Júlio Leal. “Você está precisando”, ela disse. “E eu sei que ele pode ... [ler mais]

"Gagueira Fundamental"

  “Gagueira Fundamental”                                                                                    Por Marco Antônio de Araújo Bueno                         A expressão não é minha, pertence ao G. Deleuze, filósofo contemporâneo que bate duro contra os conformismos conceituais e fustiga as bizarrices desta nossa hipermodernidade tão tagarela, tão exuberante em respostas pra tudo e tão... lacunar. Lacunas abissais de sentido, no jeito de consumir e expressar idéias e afetos. Gagueira,... [ler mais]

"Agenda"

“Agenda”                          Depressão é a Quarta da semana                        Espremida entre uma segunda Terça                         E outra Quinta que profana                        A sexta em que a precipita.                         Vem de pressão em pressão, decaída.                        E cai, despenca; rebenta balaio consumido.                        Precipitação de um fora para o fundo                        Liquefeito na evasão insana. Um Sancho                        De... [ler mais]

"Àquele cuja fome espera"

      Aquele cuja fome espera      A fome que estará saciada      No outro, enquanto este, quimera,      Padece de fome engaiolada...       E, se o que sacia a fome está, sempre      Apenas onde nós a pomos,      Pra que enraizar felina fome      Entre patas caninas e alpiste sem nome!?       E se, então, surgir a liberdade      Que desmoronasse a espera em cadeia      E desencadeasse uma fome dual ?!       Libertos estariam, um para o outro,      E, ambos, para a saciedade      Ou para uma l... [ler mais]

SONHOS DE PAPEL

SONHOS DE PAPEL (Rita Costa & André L. Soares – 18.05.07 – R. Janeiro/RJ – Guarapari/ES) . Avelino caminha apressado em direção ao ponto, após outro dia de trabalho. Estava quase no horário do ônibus que o conduzia – todo dia, ida e volta – até em casa. Morava distante do centro. Cerca de hora e meia. Dera sorte... servente de limpeza há quase um ano, na empresa de telefonia. Antes, dependia de biscates que lhe arrumassem... e mal dava pra fazer feira. Ponto cheio... bom sinal. A condução ain... [ler mais]

CRISTALINO

CRISTALINO (Rita Costa – 15.05.07 – R. Janeiro/RJ) . Primeiro foi acordar... gritar frente ao espelho o acúmulo de silêncios; deixar se refletirem no cristal todos meus medos nascidos dos fracassos... – esforços inúteis –. Então,... só após vazar a dor que a vida ensina, consciente da importância dos meus sonhos, de retirar resquícios – espinhos que rechaçam a auto-estima –,... que vi ser possível me recompor, captar a natureza lírica das coisas,... a grandeza de toda existência e assim fazer... [ler mais]

SAUDADE

SAUDADE (Rita Costa – 22.05.07 – R. Janeiro/RJ) Vive aqui dentro,... com gosto de dor antiga essa palavra que se alonga infinita e insolúvel, de uma ponta a outra, soletrada em todas as horas, sem jamais pôr-se em descanso. Como o sol ao fim do dia faz-se audível ao corpo, bebendo da irrestrita noite tantas outras... com sofreguidão. Cabe tanto dentro dessa palavra precursora de silenciosos poemas.... Nessa palavra viva, precipitada de sonhos, amanhece o olhar em forma de cantigas – balé intu... [ler mais]

JURAS CELESTES

JURAS CELESTES (Rita costa – 25.05.07 – R. Janeiro/RJ) Rasga por inteiro as vaidades coloridas, que por esse azul um poema urgente,... não pede calma. Explora onde a fragrância – jurada nas rosas e decifrada nas palavras –, desmente ser o tempo o dono das horas. Eu assim,... desfaço nos lençóis toda a timidez, fazendo-te ser alado a planar livre... em sonho celeste, sem que se escondam as minhas mãos, agora então cravadas em tuas costas, desejando guiar-te outra vez até o abrigo de meus verso... [ler mais]

Noiva funesta

Escorriam de sua boca, fluídicas, Já alcançavam os seios àquelas gotas douradas.... pareciam armadilhas prontas para capiturar o Ávido olhar visgo Uma doçura... melaço negro, spectrum Sabor de abismo De morte Ela estava predestinada. Seu corpo exalava, agora perfume de rosa podre aroma de adeus Belo e triste... Ela, a noiva funesta, fechara os olhos. Seu amante estava lá. Amou-a por toda vida, A cada lágrima derramada a lembrança viagens gozozas e frustradas Naquele corpo Inerte e fúngico. De... [ler mais]

"Tive um Sonho Estranho"

  Tive um Sonho Estranho_ Ensaio p/revista "ETD-Unicamp ENSAIO Área temática: Estudos Piagetianos & Psicologia Genética e Educacional © ETD. Educação Temática Digital, Campinas, v.7, n.1, p.107-111, dez. 2005 – ISSN: 1676-2592.. 107 TIVE UM SONHO ESTRANHO Marco Antônio de Araújo Bueno É curioso como esta expressão precede quase sempre a narrativa de um sonho! Mesmo com pacientes acostumados a sessões de análise onde se procura, depois de minuciosas explicações introdutórias, “desconstruir” es... [ler mais]

ESQUECIDOS

ESQUECIDOS (Rita Costa - 09.01.06 - R. Janeiro/RJ) . Enoja-me tanto contraste, triste realidade sem solução sem data de validade, onde só vejo o belo e pequeno, quando perto do feio. Só se escutam promessas... frases feitas… não-verdades, e os anos passam nas calçadas… passamos por eles e elas,... pessoas ignoradas. Ainda assim fazem questão de nos cuspir na cara, a dignidade humana que sentem, mas que socialmente lhes é roubada. Banquete em lata de lixo, não vejo futuro a essas vidas, se nel... [ler mais]

SUBLIME

SUBLIME (Rita Costa - 26.07.06 - R. Janeiro/RJ) . Mais-que-perfeita, tua frase em mim faz-se explícita e a recíproca verdadeira cala em meu peito toda dor. Mas guardo no silêncio as palavras que, de súbito, tornam-se infinitas para que esperem nosso tempo,... cada uma, a sua vez de verterem permissivas da minha alma, por minhas veias, meus poros e em minha boca,... unindo-se ao teu nome, que tantas vezes sussurrei. . . . [ler mais]

Lembranças

Recorda-se de nós? daqueles dias passados noutras esferas daqueles sons e gestos difíceis de serem esquecidos? Recorda-se das noites chorosas dos sonhos megalomaniacos de felicidade? Outros tempos e espaços outras canções ritmos animados pela inocência São fatos/ fardos amarelados do album/vida postais de viagens transcendentais olotrópicas, hoje, fantasmagóricas Onde estamos de verdade? onde nosso coração está? onde viveremos sem sermos massacrados? viveremos? [ler mais]

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