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Gostaria de lhes apresentar o meu mundo. Um mundo não tão diferente do seu. Apenas com peculiaridades que não existem no seu modo de ver as coisas. No meu mundo as pessoas não falam, elas transmitem. No meu mundo não há olhos, há absorção. No meu mundo os cãezinhos são reis e os homens escravos. Nada no meu mundo é cinza, tudo é preto e branco. Se o coração se quebra, luzes de emergência saltam dos olhos. Se a alma se inunda de alegria os lábios se tornam vírus e se propagam por aí. Se a sa... [ler mais]
Andreza Tibana
em 15/06/2007
A paciência é uma única dose de rum numa noite de frio. Doce, rasga o peito e aquece o corpo. Difícil é saber a hora de recorrer a essa dose mínima. Ninguém vê uma pessoa lutando para ser calmo. Lutando para não ser um animal. O único vislumbre está nos olhos. Quando os sentidos se apagam, o vermelho-sangue tinge a visão, o revés no estômago, é nesse momento a hora de tomar sua dose? Ou seria melhor deixar isso tudo e regar-se de pequenas doses o dia todo e a toda hora? Desequilibrado ou alcó... [ler mais]
Andreza Tibana
em 15/06/2007
De repente o céu tornou-se cinza. A rapidez como aconteceu lhe deixou perplexa e, um sentimento estranho também se insinuou dentro dela. Abriu a janela do apartamento para sentir o vento forte e olhar os blocos de chumbo que se formaram no céu. Pareciam sólidos. Debruçou-se no parapeito da janela e começou a observar a sutil movimentação que se seguiu ao escurecimento da tarde. Nos apartamentos dos prédios ao redor do dela, um rapaz que segurava uma caneca, e também olhava o céu, abriu a jane... [ler mais]
Lis
em 22/02/2010
Paredes, garoto simpático e atencioso, mas tão covarde quanto um filhote solto na estrada em Dia de Finados. Tinha um medo doentio de morrer! Tinha um medo assustador de se arrepender! Tinha medo de qualquer animal e medo de se dar mal. Tinha medo do muito escuro e do muito claro. Tinha medo do lado de fora e do lado de dentro. Tinha medo de poetisas e de obras de arte renascentistas. Paredes, virgem Paredes, tinha medo de mulher mas também o tinha de homens. Tinha medo de se apaixonar e não ... [ler mais]
Bondelaire
em 21/01/2009
Lembro-me exatamente do dia em que nasci, Deus havia expurgado-me do céu e dito: -Aqui não resides mais! Então meu espírito encontrou aquele frouxo corpo no ventre de minha mãe, antes que alguém me golpeasse, desapregou-se um choro de meu ímpeto, deixei os braços do divino, ele não quisera a mim. Não ungira a minha fronte. E Deus assim o fizera com meu pai, despejando-lhe uma filha única de mulher semi estéril. Enquanto a combinação de palavras parecem se desencontrar, eu as utilizo como a ju... [ler mais]
Virginia Evaristo
em 05/01/2009
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