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Um figurão, desses que usam um bigodinho e colecionam dossiês os mais diversos de rivais e amigos, me contratou para grampear um desafeto dele. Eu quase não aceito por uma questão de honra, ética e princípios, só que a vultosa soma em dinheiro oferecida falou mais alto. Combinamos tudo por telefone, que ironia. Ele não veria minha cara, melhor assim e eu receberia rigorosamente em dia pelo fruto de meu trabalho. Ele me explicou porque resolveu fazer isso, para mim tanto fazia. Eu flutuava por... [ler mais]
Leandróide
em 22/09/2007
Já posso soltar meus uivos de delírios quase guturais que me fazes ecoar, com os olhos em brasa as vontades febris as narinas aguçadas a boca saçivada e eu toda transmutada em pele negra, feita de ardis pêlos eriçados, encobrindo toda cicatriz eu, toda pronta, louca e feliz enfrentando teu olhar... eu fera no cio ti envolvo, e ti beijo, ti despejo no meu útero vazio, e o teu sobejo eu bebo e procrio dentro do meu amor em desvarios pequenos demônios que me invadem o delirar para ti perturbar..... [ler mais]
Anna Lee
em 14/09/2007
Perco tempo azedando tempo Nos teus densos olhos espelhados Enquanto vais vertendo sentimento Que, sei, lá no íntimo estavam sufocados! Vou amando e odiando ao mesmo tempo O próprio tempo que parece zombo embriagado Ora rápido e errante, ora tropeço e lento, Assim como eu, rei... dos desgraçados! Ignoro o tempo, o tempo todo, Para meu desejo nunca ser ignorado! [ler mais]
Flávio Silva Machado
em 21/08/2007
Voltastes com o vento Percebo-te nele, Então não te fostes Para sempre não existe, se vens sempre com o vento Reencontrei-te ao fim da tarde Quando o sol já não mais arde E as nuvens, antes figuras inéditas Assumiram os teus perfis A ti que me visitastes no vento Digo que te encontrei também assim É meu alento, que não te perdi Reencontrei-a no limiar do horizonte Quando noite ainda não era E tu, tão apenas vento Deixou de ser quimera E novamente tornou-se a mulher Que mais amou filhos que nã... [ler mais]
Adroaldo Bauer
em 13/08/2007
Não conseguia parar de chorar, mesmo quando seu taxi parou em frente ao aeroporto. Suas costas ainda tinham os arranhões apaixonados deixados pelo último sexo antes da horrível briga. Seu coração ainda dilacerado pelo adeus torto, farpado, que disseram. Tinha os cabelos caídos sobre o rosto, para não olhar nos olhos de ninguém. Estava despencando do céu carioca onde vivera nos últimos tempos. Estavam, pensava. Ou talvez não houvesse mais um plural. Eram aves perdidas agora. Seu vôo fora inter... [ler mais]
Daniel Duende
em 11/07/2007
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