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Sim, disse ele, as duas pedras que carrego são jóias. A primeira, completou, é límpida, calma e redentora. A segunda, mormurou, é polida, vermelha e fadada. Então, eu disse, faremos escambo. Da primeira carrego a pureza e a calma. E, como sou poeta, cabe a mim o fado da segunda. Certo, disse ela, carregarei seu destino na lida diária. E a pureza, nos sons e palavras. Sou ourives, e delas extraí o maior dos pendantes: vida. Minhas narinas encheram-se. Suporto, agora, o peso do meu diaf... [ler mais]
Leandro Kalium
em 18/10/2007
Não havia pássaros naquele dia, Também não havia sol-- o céu escuro anunciava. Daqui de cima posso ver o maior dos mosaicos: Funebresto. De tudo que vive, apenas o intangível restou-- sublimaram meus versos. Não havia guerras naquele dia, Também não havia amores-- o chão se alimentava. Ao me aproximar, deleite profundo, Tudo estava calado, tudo estava mudo. Naquele dia não houve manhã, nem música, nem angústia, nem ódio, nem piedade, nem paixão, nem deuses romanos, nem liras, nem chor... [ler mais]
Leandro Kalium
em 18/10/2007
Pousa em minha vida um sentimento de névoa Neblina úmida da aurora que não levantou. Em pé, dita o universo, o último suspiro. Minhas mãos, tingidas de gelo pó, Caminham ao retorno. Meus pés, com aroma acético, Transformaram-se pelo tempo. E lá estarei eu, sozinho, calado da noite (o fino tecido de cambraia molhado sorve minha insânia maldita em versos malditos que no tênue pulsar da respiração se acabam com toda minha trágica memória patética e com a triste sina da farsa moral) [ler mais]
Leandro Kalium
em 18/10/2007
Um figurão, desses que usam um bigodinho e colecionam dossiês os mais diversos de rivais e amigos, me contratou para grampear um desafeto dele. Eu quase não aceito por uma questão de honra, ética e princípios, só que a vultosa soma em dinheiro oferecida falou mais alto. Combinamos tudo por telefone, que ironia. Ele não veria minha cara, melhor assim e eu receberia rigorosamente em dia pelo fruto de meu trabalho. Ele me explicou porque resolveu fazer isso, para mim tanto fazia. Eu flutuava por... [ler mais]
Leandróide
em 22/09/2007
Já posso soltar meus uivos de delírios quase guturais que me fazes ecoar, com os olhos em brasa as vontades febris as narinas aguçadas a boca saçivada e eu toda transmutada em pele negra, feita de ardis pêlos eriçados, encobrindo toda cicatriz eu, toda pronta, louca e feliz enfrentando teu olhar... eu fera no cio ti envolvo, e ti beijo, ti despejo no meu útero vazio, e o teu sobejo eu bebo e procrio dentro do meu amor em desvarios pequenos demônios que me invadem o delirar para ti perturbar..... [ler mais]
Anna Lee
em 14/09/2007
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