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Enluarada
Ontem a lua contou-me um segredo:
Não de ternura aos que lhe são amados
Pois a teia escusa que tece este enredo
Não costura retalhos de corações despedaçados
Não descansa a alma ferida, o sentimento azedo
Vida é desgraça, sentimentos malfadados.
De que adianta afagos alheios
Eu, aqui, rodeada de estrelas
Possuo a beleza de juvenis seios
Mas, assim, ao reparar, ao vê-las
Oh destino insólito, oh alma eremita
Porque tamanha vastidão
Porque tanto brilho: ingratidão!
Neste céu sereno habita.
Então: não crês na candura humana!
Que zela teu sono e segue teu rastro
Pois rouba o brilho que teu corpo emana
Não quer amor: quer também ser astro!
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Este é um texto de Jéssica Reis Mallach Outros textos deste autor |
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