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Enluarada

Ontem a lua contou-me um segredo:

Não de ternura aos que lhe são amados

Pois a teia escusa que tece este enredo

Não costura retalhos de corações despedaçados

Não descansa a alma ferida, o sentimento azedo

Vida é desgraça, sentimentos malfadados.

 

De que adianta afagos alheios

Eu, aqui, rodeada de estrelas

Possuo a beleza de juvenis seios

Mas, assim, ao reparar, ao vê-las

Oh destino insólito, oh alma eremita

Porque tamanha vastidão

Porque tanto brilho: ingratidão!

Neste céu sereno habita.

 

Então: não crês na candura humana!

Que zela teu sono e segue teu rastro

Pois rouba o brilho que teu corpo emana

Não quer amor: quer também ser astro!

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Publicado em 16/06/2007 20:37
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